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A reabilitação dos movimentos após câncer de mama

VINICIUS NASCIMENTO | DIEGO MIRANDA

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Pesquisa acadêmica e uma nova abordagem terapêutica no pós-operatório

Novos casos de câncer de mama aumentam ano a ano, e, cada vez mais é comum conhecermos pessoas que enfrentaram a doença. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer para o ano de 2016 foi de 57960 casos novos.

Considerada uma doença multifatorial, sabe-se que alguns hábitos e estilos de vida podem favorecer o desenvolvimento, tais como o consumo de álcool, excesso de peso, gestação acima dos trinta anos de idade e sedentarismo. No entanto, a idade avançada é o principal fator, e por isso mulheres acima dos cinquenta anos devem ficar atentas - é a partir dessa idade que a prevalência aumenta.
O tratamento desta patologia consiste em radioterapia, quimioterapia e cirurgia. Dependendo da evolução e do tipo de câncer estas pacientes são submetidas a uma cirurgia denominada mastectomia, que é mais radical, ou quadrantectomia, considerada conservadora. Quanto mais tardiamente feito o diagnóstico, mais extensa será a cirurgia, prejudicando de forma significativa a função do membro superior homolateral à área da cirurgia, principalmente os movimentos nas articulações do ombro.
A atrofia e a rigidez muscular são evidentes no início do tratamento pós-operatório, tanto pelo medo de movimentar o membro afetado como pelo tamanho da incisão e tipo de imobilização, o que compromete principalmente os movimentos de flexão e abdução do ombro, reduzindo drasticamente a funcionalidade do membro superior, provocando alterações de equilíbrio, encurtamento de músculos e fáscias, com alterações posturais e piora da qualidade de vida.
Além dessas alterações motoras e físicas, a mulher passa por diversas dificuldades emocionais e o apoio da família é de extrema importância nesse período. O cônjuge, em especial, precisa estar mais atento à companheira nessa fase, pois há mudanças em decorrência da doença. Precisa participar ativamente de todo o processo para que, juntos, superem as adversidades do tratamento.

 

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PRÖTÓS
MOVIMENTAÇÃO NATURAL

Durante os cinco anos de graduação em fisioterapia, nos aperfeiçoamentos, aprendizados e pesquisas, após muita reflexão, surgiu o interesse pela área de oncologia mamária. E então o desafio: pensamos em como dar forma ao trabalho de conclusão do curso com dois dos temas de nosso maior interesse – o câncer de mama e o movimento natural.

Assim seguindo um modelo de trabalho baseado em perguntas e com o apoio da Profª. Drª. Adriana Pertille e da Profª. Ms. Laís Bonagurio Peressim, da Faculdade de Americana – FAM, que nos direcionou a não nos perdemos frente ao universo de informações contidas nas bases científicas disponíveis.
Nossa busca culminou com a preparação e adaptação de um modelo de abordagem terapêutica com base em movimentos simples e de caráter natural, que nomeamos de Prötós Movimentação Natural, um modelo conceitual de preparação para a movimentação natural em si, composto de exercícios de baixa intensidade, inicialmente segmentada, mas de forma fluídica, sem impacto e de progressão gradativa, tendo como objetivo principal o ganho de mobilidade e equilíbrio, respeitando a direção e função natural da musculatura e articulações envolvidas.
 

O ponto de partida foi criar situações para identificar as limitações adquiridas pelas pacientes, e se chegou às seguintes indagações:

a) e se pudéssemos fornecer uma visão menos cartesiana dos tratamentos propostos atualmente, na reabilitação? 
b) e se pensássemos no corpo todo em vez de somente no ombro?
c) e se em vez disso ampliássemos a área de intervenção terapêutica para além do ombro, para todo o corpo, de forma que todo ele estivesse envolvido na recuperação?

Para responder nossas indagações, pesquisamos nas áreas do desenvolvimento neuropsicomotor - DNPM, na biomecânica, na embriologia, na biologia e colocamos a evolução natural como ponto inicial dentro do processo natural no desenvolvimento primário de um ser humano. Analisamos a partir dos primeiros passos da sua locomoção, o rolar, sentar, ajoelhar, andar, correr, saltar, e, como cada parte do corpo se comportava nessas fases – os tecidos, órgãos, percepção e respiração.
Nossa maior preocupação era o desconforto com a dor e a insegurança das pacientes durante a execução de uma tarefa diferente, e nos preocupamos em criar um ambiente acolhedor, divertido e lúdico. Embora os exercícios propostos fossem simples, a exigência para os pacientes foi a de que se mantivesse a concentração durante a realização dos exercícios, observando a direção do movimento, a postura e a respiração natural, a fim de evitar acidentes.


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PRÖTÓS EM PRÁTICA

Quando se começa a praticar a Prötós Movimentação Natural, tem-se a sensação de bem-estar e de liberdade, nota-se uma evolução gradativa da flexibilidade e do relaxamento, sem os desconfortos de um alongamento tradicional, e, após algumas sessões, percebe-se o que chamamos de o milagre da vida manifesta no sorriso pela sensação de vencer o desafio do primeiro degrau. 

As atividades são desenvolvidas em baixo limiar, isto é, velocidade reduzida e força controlada que geram um estímulo neuronal. É como fazer uma “tatuagem” na área do cérebro responsável pelo comando da realização dos movimentos, uma vez escrita, a perda é muito menor do que atividades de limiar alto – com alta velocidade e força.
A Prötós Movimentação Natural pode ser realizada de forma individual, em dupla ou em grupos, e, contar com a participação dos cônjuges.
Cada caso é avaliado pelo fisioterapeuta, que determinará o ritmo, a intensidade e quais sequências deverão ser aplicadas. Toda a intervenção é mais um fator em prol do bem-estar e melhora da qualidade de vida da paciente. Todos os exercícios podem ser replicados em casa, sem nenhum risco e com interação familiar. As sessões podem ser realizadas de uma a três vezes por semana, sem comprometimento de outros tratamentos aplicados, e somente, realizadas por fisioterapeutas capacitados e dentro do modelo desenvolvido.
Pacientes com linfedema e em radioterapia demandam cuidados específicos, e por isso a abordagem inicial é a modalidade individual. Deve-se considerar que este é mais um recurso que pode auxiliar na reabilitação da paciente tratada por câncer de mama, com benefícios no curto e longo prazo.
Embora os princípios aplicados façam parte do curso de fisioterapia, a modalidade desenvolvida não faz parte do currículo de graduação. Nosso raciocínio clínico foi beneficiado por formações paralelas à graduação. Atualmente temos ampliado nossos conhecimentos por meio da formação em Moviment Therapist, da Kinetic Control, e da análise de informações nas áreas de ontologia e filogenia humana.


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Vinicius Nascimento
Fisioterapeuta, Coach de Alta Performance
Analista Comportamental DISC

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 (19) 98265.5021
Rua Goias, 903 | Jd. Colina | Americana


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Diego Miranda
Crefito 3/237000-FFisioterapeuta

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(19) 98158.8298
Rua Francisco Martins Gimenes, 28 | Vila São Pedro | Hortolândia