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Aprendendo a perder e a ganhar com a perda

ANA PAULA BANOV

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Temos a impressão de que não fomos educados para lidar com as perdas da vida.

Mas se olharmos ao nosso redor, por mais cruel que possa parecer, desde o momento do nosso nascimento convivemos com estas perdas. O que nos custa perceber é que quando perdemos algo, surgem outras possibilidades. Quando nascemos, perdemos o aconchego e proteção do útero, mas ganhamos colo, depois de perdermos o seio materno, ganhamos a possibilidade de experimentar outros sabores. Perdemos a despreocupação da infância e abre-se um mundo de outras possibilidades. E assim a vida vai nos levando, vamos perdendo e ganhando. E amadurecendo. 

Por que será que superar as perdas se torna um processo mais difícil ao longo da vida? Situações como o término de um relacionamento, perda de emprego, mudança de cidade, parecem o fim do mundo. Ficamos com a sensação de que nos roubaram algo, sofremos e começamos a sentir medo, culpa, raiva, tristeza, perdemos o interesse pela vida. Neste processo, a forma como cada um vai vive-lo depende das circunstâncias da perda, do modo como lida com situações de crises, o apoio da família e dos amigos, das suas crenças. Porém viver e atravessar o luto é algo que se faz necessário. Fugir ou fingir que a dor não existe não a diminuirá - poderá causar ansiedade, confusão e aumentar a depressão.
O grande problema é que nos esquecemos de olhar para as possibilidades que se abrem. Para começar, esses chacoalhões nos fazem descobrir que somos mais fortes do que pensávamos. Ajudam-nos a valorizar o que realmente é importante e a deixar de lado o supérfluo, nos possibilita reavaliar nossas vidas.
Shiva, na tradição hindu, é o destruidor, aquele que destrói para construir algo novo. A Fênix, um pássaro da mitologia grega, quando morria, queimava o próprio corpo e, passado um tempo, renascia das próprias cinzas. Jesus Cristo ressuscitou, para deste modo, trazer uma vida nova a todos os seus seguidores. Mas se olharmos para os três, vemos o processo de transformação, reconstrução, e recomeço a partir de algo que pareceu o fim.
Passar por situações dolorosas deve nos conduzir nessa mesma lógica. Nos reconstruirmos a partir do que nos foi tirado, através do entendimento, aceitando aquilo que não pode ser mudado, trazendo conosco os novos aprendizados, o reconhecimento de nossa força interior. Tudo que vivemos, as dores que enfrentamos, os problemas que superamos, as alegrias que desfrutamos, fazem-nos ser quem somos. “Superar é preciso, seguir em frente é essencial”. Clarice Lispector.


Ana Paula Banov
Psicanalista Clínica

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