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Tenho ciúme? É normal ou patológico?

ROSELI ALMEIDA

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Quem já não experimentou reações de ciúmes em algum momento da vida e no âmbito profissional, familiar, afetivo ou social, apresentou–se inseguro, inferior, rejeitado e humilhado. 

Muitas vezes conseguiu expor as sensações, noutras negou ou omitiu. O ciúme é mais perceptível no âmbito afetivo, e até considerado normal. Nos demais, faz parceria com a inveja e a cobiça. Será o ciúme normal mesmo? Uma patologia de fato? 
O psiquiatra Eduardo Ferreira Santos, autor do livro Ciúme, o medo da perda, disse que existem quatro tipos de ciumentos: o zeloso, o enciumado, o ciumento e o delirante. Afirma o autor que se analisarmos mais detalhadamente o ciúme podemos perceber logo de início que não se trata de um sentimento voltado para o outro, mas sim voltado para si mesmo, para quem o sente. Na verdade, é o medo que alguém sente de perder o outro ou sua exclusividade sobre ele. É um sentimento egocentrado, que pode muito bem ser associado à terrível sensação de ser excluído de uma relação. Afirma ainda que em um grau maior de comprometimento emocional, quando há uma instabilidade neurótica ou de auto-afirmação, a sensação permanente de angústia e instabilidade, e a insegurança em relação a si mesmo e ao outro, além da fragilidade da relação afetiva, podem levar a pessoa a manter um permanente "estado de tensão", temendo ser traído ou abandonado. Qualquer sinal do outro pode significar algo e a angústia da dúvida corrói a alma de quem é ciumento. Em uma terceira situação, ainda mais grave sob o ponto de vista de comprometimento do psiquismo, podem ocorrer situações delirantes em que a desconfiança do ciumento cede lugar a uma certeza infundada sobre ser traído ou abandonado. 

Já o ciúme patológico, segundo Geraldo Ballone,  é um grande desejo de controle total sobre os sentimentos e comportamento do companheiro. Preocupações excessivas sobre relacionamentos anteriores com pensamentos repetitivos, imagens intrusivas e ruminações sem fim sobre fatos passados e seus detalhes. "O Ciúme Patológico é um problema importante para a psiquiatria, que envolve riscos e sofrimentos, podendo ocorrer em diversos transtornos mentais. Na psicopatologia o ciúme pode se apresentar de formas distintas, tais como idéias obsessivas, idéias prevalentes ou idéias delirantes sobre a infidelidade. No Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), o ciúme surge como uma obsessão, normalmente associada a rituais de verificação", explica o psiquiatra.
Diferenciar se o ciúme é normal ou patológico é o primeiro passo. O ideal seria aceitar  e trabalhar o medo  da perda e transformá-lo  em segurança e autoconfiança, além de perceber que controle e  possessividade  sobre  outra pessoa é uma ilusão criada pela nossa mente, que só gera  sofrimentos. Podemos ter controle sobre nossa própria pessoa e nada mais.


 

Roseli Almeida - CRP 06/6426
Psicoterapeuta Cognitiva Comportamental




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