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Acabaram as Festas. E agora?

ANA PAULA BANOV

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Todo fim de ano parece a mesma coisa... Festas, comilanças, algumas bebedeiras, um milhão de mensagens com votos cheios de fé, esperança e, principalmente, colocando-nos reflexões sobre o amor fraterno e o perdão.

Um verdadeiro clima de felicidade!
Passam-se as festas, ficam as lembranças, agradáveis ou não, e em pouco tempo a rotina se restabelece, tudo volta a ser como era antes. Pouca fé, menos esperança ainda, o amor jogado num canto e o perdão devolve o lugar para a mágoa, do passado ou nova. O fato é que nos esquecemos de tudo o que prometemos ser “melhores” durante o período festivo.
Deve ser por isso que algumas pessoas não gostam do Natal, ou dizem que é um evento cheio de hipocrisia. Confesso que pensei assim durante um período da minha vida, uma época em que talvez eu não entendesse direito o real sentido dos sentimentos que afloram no final de cada ano.
Mas o que acontece conosco é que, apenas alguns dias após as festas, voltamos a não cumprimentar desconhecidos na rua, a ficar nervosos no trânsito, a ser grosseiros por nada! Para onde foram todas as boas energias?
Demoramos para perceber que é da natureza humana sermos gentis, gratos, amorosos. Que esses sentimentos sempre estiveram e para sempre estarão dentro de nós. Basta mantermos todos eles em nossa mente consciente, vigiarmos nossas ações para conseguirmos deixá-los vivos dentro de nós e, assim, transmiti-los a todas as pessoas que encontrarmos.
É claro que dificuldades surgirão ao longo deste ano que se inicia. Também é óbvio que nos sentiremos magoados com algumas pessoas, principalmente as mais próximas de nós, mas nossa tarefa é exercitar o amor e o perdão todos os dias deste Ano Novo, para que ele seja realmente novo.
Ninguém é capaz de nos magoar se não permitirmos. Se nos sentimos magoados, pelo amor que temos pelo outro e por nós mesmos, precisamos aprender a perdoar. E perdoar não é esquecer, deixar para lá, é compreender de verdade o que aconteceu com a outra pessoa envolvida, e a si mesmo, com um olhar de amor, deixando de carregar o peso do ressentimento. Esse olhar de amor não quer dizer que precisamos gostar do que aconteceu, aliás, temos o direito de não gostar, mas temos o dever de compreender que não tinha como ser diferente. Se não pelo outro, por nós mesmos.
Minha felicidade e paz depende apenas de mim! É esta a transformação que devemos desejar: que nos tornemos responsáveis por nossa vida, por nossa felicidade, por nossa paz interior, sem deixar que coisas ou pessoas nos aborreçam! Pode dar trabalho, mas com certeza vale a pena!


Ana Paula Banov
Psicanalista Clínica

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