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A importância do brincar no desenvolvimento infantil: Contribuições da Terapia Ocupacional.

RENATA DECHEN CANALE

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Toda criança brinca, pois é pela brincadeira que ela começa a aprender sobre si mesma e sobre o mundo que a rodeia

É importante compreender o universo lúdico, pois o brincar proporciona benefícios no ensino-aprendizagem infantil, bem como favorece o desenvolvimento de habilidades e capacidades que serão utilizadas até a fase adulta.

Na literatura recente, o brincar é visto por dois aspectos: o brincar como prática da Terapia Ocupacional e o brincar como lugar na vida da criança. No primeiro caso, o brincar é considerado na Terapia Ocupacional como um objeto de estudo e intervenção - área de ocupação humana - em que o terapeuta ocupacional deve observar o repertório da criança, considerando suas habilidades, valores, experiências, contextos e interesses. No segundo caso, entende-se o lugar do brincar na vida da criança, considerando a relação do brincar com o prazer, a descoberta, o domínio da realidade, a criatividade e a expressão.

A infância é uma fase em que são adquiridas inúmeras habilidades motoras e sensoriais, na qual a criança aprende a organizar as suas respostas aos estímulos que sofre no decorrer dos seus primeiros anos de vida.

No entanto, algumas crianças podem apresentar reações inapropriadas a certos estímulos sensoriais, exibindo padrões de comportamento incompatíveis com a situação ou com o momento, impedindo que o papel de brincar seja desempenhado de forma satisfatória. Os problemas mais comuns na área do processamento sensorial que podem afetar o brincar e as atividades cotidianas da criança são:

Falhas no registro sensorial: a criança parece não prestar atenção a estímulos relevantes no ambiente, nem sempre reagindo à dor, aos movimentos, sons, cheiros, sabores ou a estímulos visuais;
Tendência à procura de estímulos: são crianças muito ativas motoramente, que parecem estar em constante procura por estímulos intensos ou outras modalidades sensoriais, e, embora sejam crianças mais agitadas, que desafiam o perigo, existe a hipótese de que elas são hiporreativas a certos estímulos, precisando de informação extra para manter atenção e dar significado ao ambiente;
Hiper-reação a estímulos: as manifestações mais comuns são defensividade tátil, insegurança gravitacional e resposta aversiva ou intolerância a movimento - tendência a evitar estímulos táteis, um medo excessivo ou reação de enjôo, náusea e mal-estar, com o estímulo mínimo de movimento.

Assim, quando vemos crianças com uma forma de brincar um tanto imatura, quer porque exploram o meio à procura de sensações, quer porque são desorganizadas no brincar, e parece não conseguirem decidir um tema, ou organizá-lo, provavelmente podem estar manifestando sintomas de disfunção de Integração Sensorial. O brincar da criança nos primeiros anos está centrado no corpo. As crianças gostam de bater os pés e as mãos nas superfícies, levam as mãos e objetos à boca e movimentam-se e balançam-se em várias posições. As crianças com disfunção sensorial podem não ter interesse nessa exploração, o que tem impacto no desenvolvimento da noção de corpo e na coordenação dos movimentos. Empurrar objetos, sujar o corpo e experimentar sensações são essenciais para que a criança desenvolva o esquema corporal e a coordenação. Nas crianças com problemas de modulação (que evitam ou recebem pouca informação durante as brincadeiras), o brincar pode estar comprometido, devido ao ineficiente desenvolvimento da manipulação dos mesmos e da coordenação dos membros. Normalmente só depois de a criança explorar a relação com objetos, combinando-os e registrando as suas potencialidades, enquanto cria conceitos, é que ela começa a expressar-se através do jogo simbólico. O jogo simbólico permite a expressão de sentimentos e da manifestação das capacidades de práxis (execução).

Quanto às crianças com sinais de autismo, essas podem apresentar dificuldades com a comunicação, com a interação social e comportamentos repetitivos, e, também demonstrar sinais de desordens sensoriais. Uma vez identificado que a criança apresenta disfunções sensoriais que prejudicam o brincar, o Terapeuta Ocupacional pode intervir com a Terapia de Integração Sensorial - uma abordagem que procura organizar as sensações do próprio corpo em relação aos estímulos do ambiente.

A Análise do Comportamento Aplicada – ABA também traz inúmeras contribuições, afirmando dois aspectos sobre o comportamento de brincar: sobre o comportamento operante e sobre as propriedades naturalmente reforçadoras.

O próprio comportamento de brincar é aprendido e envolve a aprendizagem de um necessário repertório mínimo. O comportamento de brincar vai sendo também aperfeiçoado à medida que a criança segue modelos e gradualmente vai modelando esse repertório. Pode-se afirmar que o comportamento de seguir um modelo - o imitar - é um requisito para o brincar.

O brincar pode contribuir para a intervenção em crianças com desenvolvimento atípico pelos seguintes aspectos: ajudando na interação com parceiros típicos, diminundo comportamentos auto-estimulatórios e outros comportamentos inadequados socialmente, e, estimulando o desenvolvimento de novas hablidades.

”Brincar é a forma infantil de aprender, é a válvula de escape para as necessidades inatas de atividade. Nela a criança envolve-se com a mesma energia que nos engajamos em nosso trabalho. Brincar é uma incumbência séria que não deve ser confundida com diversão ou uso do ócio do tempo, não é leviandade, é uma atividade intencional”. ALESSANDRINI, 1949.

 

Desenvolvendo habilidades com o brincar:

  • contato visual;
  • atenção compartilhada;
  • reciprocidade sócio-emocional;
  • habilidades verbais;
  • faz de conta;
  • coordenação motora fina e ampla;
  • habilidades de coordenação viso-motora;
  • sequência lógico-temporal;
  • habilidades pré acadêmicas e acadêmicas.

Desenvolvimento da criança por intermédio do brincar:

  • Brincar e o prazer: o prazer é um componente essencial do brincar;
  • Brincar e a descoberta: a criança desenvolve um saber-fazer experimental;
  • Brincar e o domínio da realidade: o brincar da criança é a forma infantil da capacidade humana de experimentar situações-modelo e dominar a realidade
  • experimentando;
  • Brincar e criatividade: no brincar, a criança decide o que é realidade, transforma-a e adapta aos seus desejos;
  • Brincar e expressão: o brincar é a linguagem primária da criança, ou seja, a linguagem da ação.

Desenvolvendo habilidades com o brincar na perspectiva da Terapia Ocupacional:

  • Componente Sensorial: manipular as características sensoriais dos objetos é o que contribui para o desenvolver da percepção;
  • Componente Motor: nas brinca-deiras, as crianças praticam diferentes tipos de preensão, coordenação e movimentos finos - e desenvolvem as reações de proteção;
  • Componente Cognitivo: as habilidades cognitivas permitem compreender o ambiente e desenvolver o pensamento;
  • Componentes Afetivos: inicia-tiva, expressão de si, reação à frustração, faz-de-conta;
  • Componente Social: o brincar desenvolve as habilidades de relação com o outro, contato visual, desenvolve habilidades verbais.


Importância do brinquedo:

Os brinquedos são parte do universo da criança. Por meio deles, a criança começa a experimentar, manipular, inventar, desenvolver a linguagem, testar seus limites, estimular a curiosidade, desenvolver a autoconfiança, reproduzir o seu cotidiano e suas relações sociais.

Como escolher um brinquedo?

Para escolher um brinquedo para seu filho, é necessário levar em consideração algumas características:

  • investigar que tipo de brinquedo a criança gosta;
  • observar a fase de desenvolvimento da criança, sendo necessário que sejam adequados para a idade e que não excedam suas habilidades e capacidades, ou seja, de acordo com cada habilidade e cada faixa etária da criança é que é escolhido o tipo de brincadeira e brinquedo;
  • brinquedos que favoreçam a imagi-nação, a criatividade, o raciocínio e o faz de conta;
  • brinquedos que estimulem a interação e socialização;
  • atenção para não comprar brinquedos da moda, apenas por comprá-los, sem função específica para seu filho;
  • evitar brinquedos por meios eletrônicos - tablets, celulares, televisão, etc. - que ocupem todo o tempo da criança. É importante que a criança conheça o mundo virtual, mas é necessário cautela com esses tipos de brinquedos. É não comprometer a qualidade de interação, perdendo a oportunidade de brincar, ampliar e variar o repertório comportamental;
  • não considerar apenas o aspecto estético do brinquedo;
  • crie diversidade! Se a criança já tem vários brinquedos do mesmo tipo, ofereça brinquedos diferentes;
  • atenção para as peças pequenas, material seguro, que não traga riscos para a criança ao manusear, e brinquedos que possuam o selo do Inmetro.

Assim, tanto os brinquedos quanto as vivências de brincadeiras de roda, correr no quintal, entre outros (hoje tão esquecidas), configuram-se em grandes oportunidades para o desenvolvimento infantil.

 

Como estimular o brincar no ambiente domiciliar?

A relação entre os filhos e pais na situação do brincar é essencial, bem como a importância do afeto e participação efetiva na vida dos filhos. Pela estimulação do brincar por parte dos pais no ambiente domiciliar é possível aumentar o interesse, maximizar potencialidades e capacidades e favorecer o desenvolvimento integral da criança. É importante o esclarecimento de que os pais não são os terapeutas dos seus filhos, e não deverão hesitar em solicitar orientações dos profissionais.

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Algumas questões fazem parte da idade das crianças. Um pouco de bagunça é normal na infância, e deve ser encarada numa boa. Porém, é preciso ficar atento a questões como estruturação de horários e organização, para servir de modelo para as crianças.

  • duas dimensões importantes: limite e afeto. Para haver um bom desenvolvimento, os pais devem apresentar um equilíbrio entre exigências - limites, regras e consequências - e responsividade - afeto e envolvimento.
  • local: na mesa de atividades, no chão ou em qualquer outro ambiente - variar o contexto para generalização;
  • posicionamento: sempre na altura dos olhos para garantir o contato visual, permitindo que seus olhos estejam no mesmo nível dos olhos da criança;
  • duração: brincadeiras curtas, com começo, meio e fim claros. Finalizando enquanto está gostando, para não gerar aversão, manter a expectativa e o gostinho de quero mais;
  • reforçador: deve-se reforçar sempre após todas as respostas adequadas, aumentando assim a probabilidade da resposta.


Podemos concluir que a sociedade atual tende a subestimar ou dar pouca importância ao brincar. Como a maior parte das crianças brincam sozinhas e sem dificuldades, as pessoas pensam que o brincar é apenas um passatempo, uma vez que é difícil visualizar como o brincar se desenvolve no cérebro e favorece o desenvolvimento de tantas habilidades na criança. Habilidades estas que influenciarão a vida adulta em vários aspectos. Dada a relevância do tema exposto, faz-se necessário divulgar a importância do brincar na nossa sociedade, uma vez que a criança tem uma necessidade inata de brincar, referindo-se sempre à importância e à influência do brincar no seu desenvolvimento. Assim, brincar é um exercício de imaginação, é uma busca de novas habilidades que enriquece o processo de aprendizagem de qualquer criança. Convido você a instigar essa fonte inesgotável de potencialidades a partir da arte do brincar de uma criança.


Brinquedos indicados para cada idade

Bebê de colo e que engatinham
Como são sensíveis ao meio ambiente e suas percepções sensoriais respondem aos estímulos do olfato, paladar, som, tato e visão, o ideal para os bebês são brinquedos leves, que chamem atenção para tamanho, forma, som, textura. À medida que a criança for crescendo, valem brinquedos mais vistosos, com guizos para apertar, bonecas de tecido e animais de pelúcia, bichinhos flutuantes e livrinhos para banho. Quando o bebê já consegue sentar, está pronto para brincar com cubos ou peças de encaixar, livros com ilustrações de objetos familiares. Assim que a criança começa a engatinhar ou a caminhar, os brinquedos mais estimulantes são os de empurrar e puxar, como carrinho de boneca, peças de montar e desmontar e carrinhos.

Crianças de 18 a 36 meses
Crianças irrequietas precisam de brinquedos que ativem seu movimento corporal, seja um carrinho grande para puxar, subir, ou levar seus brinquedos dentro dele e objetos para subir ou cavalgar. Também são boas opções brinquedos para o ar livre, como bolas, infláveis, caixas de areia com pás e cubos. Para imitar o mundo adulto, a criança também aprecia móveis em escala, aparelhos domésticos e utensílios de brinquedo, assim como fantasias e bonecas. Interessam-se também por instrumentos musicais como pandeiros, pianos, tambores, bem como ouvir discos musicais e de contos infantis.

Pré-escolares de 3 a 6 anos
As crianças desse grupo são hábeis nos jogos de faz de conta, gostam de desempenhar papel de adulto e criar situações fantásticas. Fantasias e equipamentos que ajudem em seu mundo imaginário são úteis: lojas em miniatura com dinheiro de brinquedo, caixa registradora, telefone. Cidadezinhas, circos, fazendas, postos de gasolina, fantoches e casas de boneca com móveis são atração. Brinquedos ao ar livre como veículos com rodas e a primeira bicicleta são apropriadas nessa etapa. Jogos que exigem uso da imaginação ou cálculo mental, como os de palavras e memória, também são uma boa dica. Opte também por jogos de construção, kits para colorir, tintas ou giz de cera.

Dos 6 aos 9 anos
Jogos de tabuleiro ajudam no aprendizado das normas sociais. Bonecas com vestidos da moda e aquelas que parecem homens e mulheres em suas profissões são atrativos para meninos e meninas. Para os mais velhos, carros de corrida, materiais de experiência científica, jogos de construção, patins, bicicletas, patinetes e artigos esportivos são boas opções.

Dos 9 aos 12 anos
Nessa idade, as crianças começam a desenvolver habilidades específicas e dão atenção a passatempos e ocupações, como jogos de mágica, kits de química, enigmas e quebra-cabeças. Os jogos eletrônicos e videogames, pingue-pongue e bilhar são bem populares nesta idade, assim como instrumentos musicais, livros e discos.

Depois dos 12 anos
Após essa idade, os interesses de crianças e adolescentes começam a mesclar-se com os dos adultos. Jovens demonstram interesses por jogos eletrônicos, de tabuleiro e de aventuras. Coleções de bonecos, carros em escala, miniaturas e animais de pelúcia geram interesse.


Fonte: http://pioneiro.clicrbs.com.br/rs/noticia/2010/10/especialistas-sugerem-brinquedos-de-acordo-com-a-faixa-etaria-para-presentear-no-dia-das-criancas-3065575.html


renataTO bio

Renata Dechen Canale
CREFITO-3/ 12102-TO
Terapeuta Ocupacional
Especialização Reabilitação em Neurologia Infantil
Especialização Educação Especial e Inclusiva
Certificação em Integração Sensorial
Capacitação e Especializanda em Análise do Comportamento Aplicada (ABA) ao Autismo


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Renata Dechen Canale - Terapeuta Ocupacional