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“Toda beleza é imperfeitamente bela” (Cury. A.).

Roseli Maria da Silva Almeida

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Quais os limites para a vaidade feminina? Até que ponto é saudável e quais as suas consequências?

A beleza é algo que chama atenção do homem desde o início dos tempos. Ela sempre foi cultuada, conforme imposições da época, na literatura, na pintura, nas artes ou dentro do próprio homem.

A busca pelo embelezamento e pela preservação da juventude, do desejo de parar o tempo, vencer o envelhecimento e retardar o fim, é tão ativa hoje quanto nos séculos passados em que os egípcios e os romanos enalteciam os aspectos relacionados a beleza. Porém nos dias de hoje a mídia é que impõem os padrões de beleza, incentivados pelos avanços tecnológicos ocorridos na medicina, biotecnologia, cosmética, dentre outros (Fernandes, 2006).

De forma explícita e também subliminar há um despertar de sentimentos intensos que inspiram diversos tipos de ações, tanto nas mulheres quanto nos homens e adolescentes, que estão contaminadas por esta busca quase inacessível.
Influenciadas pela mídia e preocupadas em corresponder aos inatingíveis padrões de beleza que são apresentados, inúmeras mulheres mutilam sua autoestima e, muitas vezes, seus corpos em busca da aceitação social e do desejo de se tornarem iguais às modelos que brilham nas passarelas, na TV e nas capas de revistas.

As correções estéticas num mundo que supervaloriza a imagem podem aliviar a ansiedade e gerar autoestima. No entanto, se as mulheres não resolverem a síndrome do padrão inatingível de beleza, a intervenção estética não solucionará a insatisfação com elas mesmas. Hoje operam o seio, amanhã o nariz, depois o rosto. O buraco é interior.

Quando se olham nos espelhos, as mulheres valorizam mais seus defeitos do que suas qualidades, pois se veem através das janelas doentias que construíram em sua psique (Cury. A.).

A Unilever Dove apresentou uma pesquisa, com o objetivo de mostrar como as mulheres de todo o mundo encaram a beleza, os padrões ditados pela mídia e seus efeitos na qualidade de vida e na sociedade. Foi encomendado para a empresa StrategyOne, instituto de pesquisa mundialmente conceituado. Foram entrevistadas 3200 mulheres de 18 a 64 anos em dez países (apresentado em 2004 pelo consultor Tommaso).

Esta pesquisa mostra que apenas 2% das mulheres de todo mundo se definem como “belas”! O índice de satisfação das brasileiras é ainda pior onde apenas 1 % se define como tal! 54% cogitaram de submeter-se a cirurgia plástica e 7% já fizeram. 13% atribuem beleza apenas às Top Models.
As brasileiras, segundo a pesquisa, estão entre as que têm a autoestima mais baixa, muito provavelmente em consequência do modelo de beleza eurocêntrico (padrão europeu) e inalcançável para a realidade nacional. De acordo com o levantamento, elas se submeteriam a todo tipo de intervenção estética para se sentirem belas.

Embora a mulher se empenhe na obtenção deste ideal de beleza, adiante-se inviável, simultaneamente reivindica a ampliação e a democratização desse padrão, como uma autoimposição arbitrária. 75 % querem que a mídia retrate a beleza de forma mais abrangente, incorporando outros fatores, que não a atratividade física, que é um componente da beleza, mas não a beleza em si, tais como autoestima, bem estar, simpatia, cordialidade, sinceridade e, principalmente que a beleza esteja vinculada à saúde física e mental das mulheres “normais”.

Na pesquisa, as mulheres mais satisfeitas consigo mesmas foram mais indulgentes ao abordarem a própria beleza. A autopercepção da beleza estava ligada à felicidade, bem estar e autoestima. Ser bonita é ser feliz, é valorizar aquilo que a torna única, é a expressão do equilíbrio emocional, é, principalmente, a sensação íntima de autoconfiança e de automerecimento da felicidade. É mais, muito mais que a mera atratividade física. É algo que vem “de dentro”, sem o qual a mera atração física se torna banalizada. É a valorização do que se tem e não a lamuria do que não se tem. É a aquisição de uma “identidade estética”.

Tommazo coloca de forma clara que a beleza é algo mais complexo do que o espelho mostra. É muito mais a leitura que a mente faz dessa imagem. E a autoestima é fundamental nessa leitura. É ela quem potencializa a beleza, que faz com que ela “renda”! Sem essa condição interna a mulher pode melhorar consideravelmente sua imagem e continuar se sentindo feia ou, no mínimo, não usufruindo os benefícios da mudança. Mesmo admirada pelos outros continuará não se gostando. Continuará temendo a beleza, sem desfrutá-la!

É importante ressaltar que cuidar de si e da sua aparência é necessário e benéfico, no sentido de sentir-se bem consigo mesma, sentir-se bonita e atraente. Isto colabora nas relações interpessoais e na autoestima.

Entretanto, como tudo na vida, pode sair da linha da normalidade, tudo em excesso pode ser prejudicial, e a com a vaidade não seria diferente. E o pior, ainda, é que pode ser patológica, como quando a dita vaidade excessiva passa a dominar a vida e os pensamentos da pessoa, sofrendo do que é chamado de Transtorno Dismórfico Corporal (TDC).

A característica essencial do TDC é a preocupação com um defeito mínimo ou imaginário que muitos pacientes acreditam tratar-se de um defeito físico bastante evidente. Indivíduos com esse diagnóstico podem se preocupar com qualquer parte do corpo, mas as queixas mais frequentes envolvem falhas imaginárias, ou imperfeições leves, cujas proporções são supervalorizadas. Estes pequenos “defeitos” podem ter ocorrido em função de cicatrizes, acne ou podem estar relacionados à forma ou tamanho do nariz, olhos, sobrancelhas, assimetria facial, bochecha, lábios, mãos, pés, genitais, etc. (Cororve & Gleaves, 2001; Rosen & Reiter, 1996; Torres, Ferrão, & Miguel, 2005; Veale et al.,1996).

O TDC envolve a emissão de comportamentos bem peculiares, como por exemplo, a camuflagem, que consiste em mascarar ou esconder o suposto defeito por meio de barba, uma forma particular de arrumar o cabelo, aplicação de maquiagem de forma ritualizada, o uso de casacos, blusas de manga comprida, ou então, acessórios como os chapéus, lenços, etc. Outro comportamento típico inclui a verificação do defeito em superfícies refletoras tais como as dos espelhos, das vitrines de lojas, para brisas de automóveis, ou então as frequências excessivas com cuidados na aparência, com o escovar os cabelos e o remover pelos, por exemplo.

A literatura psicológica e psiquiátrica tem mostrado que o Transtorno Dismórfico Corporal geralmente se inicia durante a adolescência, podendo persistir por muitos anos, até ser diagnosticado. Isso ocorre frequentemente porque os indivíduos com o transtorno relutam em revelar seus sintomas (Phillips & Diaz, 1997).
O tratamento indicado para esta condição deveria ser psiquiátrico e não cirúrgico. Estes pacientes podem resistir à consulta psiquiátrica, mas podem ir de cirurgião em cirurgião em busca de alguém que corrija sua suposta deformidade. É frequente que se encontre um novo “defeito”, que se necessite de outra correção. Como o “defeito” é muito mais emocional do que físico, eles raramente estarão satisfeitos com as modificações físicas obtidas e assim podem se tornar pessoas com aparência extremamente artificial (Andreasen e Bardach, 1977).

Precisamos ficar atentos para não cairmos nas armadilhas impostas em nome do “corpo perfeito”. Ao fazermos uma corrida aos excessos de dietas, malhação, tratamentos estéticos e cirúrgicos, de forma compulsiva, nos tornamos escravos da nossa própria mente, o que deixa sequelas e gera consequências muitas vezes piores e sem volta.

É importante que haja discussão entre as mulheres. Que também os pais possam levar o assunto para dentro de casa, abrindo espaço para o diálogo e não para a crítica, observando melhor o comportamento de seus filhos, se estão muito preocupados com seu corpo ou parte dele e como eles percebem a própria autoestima.

Passamos a gostar mais de nós mesmos, de uma maneira mais otimista e positiva, quando há equilíbrio entre cabeça e corpo.
A saúde esta relacionada à nossa conduta diária, as responsabilidades assumidas e a qualidade de vida que também está dentro de cada um. É um grande exercício de autorespeito e de amor para si próprio que precisamos praticar dia-a-dia e observar sempre.
Augusto Cury nos brinda em seu livro a Ditadura da Beleza com esses dizeres de uma profundidade ímpar. “Mulheres e homens precisavam ter a convicção de que não existe beleza perfeita. Toda beleza é imperfeitamente bela. Jamais deveria haver um padrão, pois toda beleza é exclusiva como um quadro de pintura, uma obra de arte.”

Roseli Maria da Silva Almeida CRP 06/6426
Psicoterapeuta Analítica Cognitiva Comportamental



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