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ULTRASSONOGRAFIA E O FUTURO DO BEBÊ

Candice Fabri Santi

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A tecnologia permite um excelente diagnóstico ainda na fase intrauterina

Vamos imaginar um dos maiores acontecimentos da vida... Um casal, juntos há alguns anos, decidem por aumentar a família e procuram um especialista para falar sobre suas dúvidas, para prepararem-se em relação às medicações, exames, vacinas, tentativas, e, dúvidas em geral sobre a gravidez.
É assim que seria um “pré-natal ideal”, com essa primeira visita ao especialista, muito antes de realmente começar o pré-natal propriamente dito, uma avaliação prévia, de preparação e de aconselhamento, que é muito especial para o planejamento familiar.
Após esse importante primeiro passo, o casal então retorna tempos depois, enfim grávidos! E agora? Como será? Quando iremos ver o bebê? Está crescendo? Está tudo bem? São as perguntas que sempre escutamos nas consultas médicas. Então, passaremos a esclarecê-las.
O primeiro exame de ultrassom, mas que não deve ser considerado ainda como um exame de gestação, é realizado via transvaginal após sete semanas de amenorréia - contadas a partir da última menstruação - a fim de confirmar o tempo dessa gestação, se ela é uma gestação única ou gemelar, e checar o coração batendo. Antes dessas setes semanas as avaliações tendem a ser incompletas, sem muitas conclusões.


PRIMEIRO TRIMESTRE

Então, o primeiro exame da gestação propriamente dito é o que a maioria das mamães chamam de “exame da nuca”. É o exame no primeiro trimestre, que deve ser realizado entre onze e treze semanas e seis dias gestacionais, com o momento ideal entre doze e treze semanas gestacionais, onde conseguimos a melhor avaliação do feto. É o momento para quando a gestante não tem problemas de saúde expressivos, quando não há prevalência de casos especiais na família, quando ainda não está com seus quarenta anos. Um exame básico, onde avaliamos a transluscência nucal, o osso nasal, a transluscência intracraniana e a medição das partes do feto.
É nesse exame que podemos levantar ou não a hipótese de existir alguma síndrome cromossômica, sendo a mais famosa a Síndrome de Down. Porém, quando a gestante apresenta algum problema prévio, como uma alteração da coagulação, um quadro de hipertensão anterior, idade materna avançada, histórico familiar, o exame é ampliado para o “estudo morfológico do primeiro trimestre”. Então, além de avaliarmos o necessário também analisamos outros pontos no feto (marcadores) que podem estar presentes, como o canal que se chama ducto venoso, a valva cardíaca (valva tricúspide) e as artérias uterinas maternas. Daí, com todos esses dados, realizamos um cálculo de risco para verificar a chance de o feto ter alguma alteração genética, ou para o risco da mamãe desenvolver hipertensão, ou ainda de o feto não crescer adequadamente (faz restrição de crescimento).
Nesse mesmo exame, de caráter morfológico, expandindo os quesitos mencionados, também  é possível avaliar a chance do feto ter alguma alteração na sua formação, para isso a técnica utilizada tem que ser aplicada perfeitamente e isso exige muita paciência, tanto do médico que manuseia o equipamento de diagnóstico quanto da paciente e do seu acompanhante.


SEGUNDO TRIMESTRE

Aí vem o segundo exame e um dos mais importantes: o “estudo morfológico do segundo trimestre”.
Esse, pela lei, todas as gestantes têm direito de realizá-lo. Deve ser realizado entre vinte e duas e vinte e quatro semanas, porque é nessa fase que as estruturas estão melhores formadas para um parecer médico mais contundente. Às vezes, antes das vinte e duas semanas nem sempre conseguimos realizar um bom exame. Essa avaliação no segundo trimestre serve para analisarmos tudo no bebê. Pés, pernas, coluna, mãos, braços, abdômen e tudo o que tem no abdômen, bexiga, rins, tórax, polo cefálico, cérebro e todas as estruturas cerebrais, face, boca, perfil, osso nasal, orelha, palato, queixo, olhos, enfim, tudo. E a atenção também para o coração do feto da forma necessária. E a partir daí o acompanhamento pode indicar outros caminhos.


TERCEIRO TRIMESTRE

Se estiver tudo dentro dos padrões, existe o terceiro exame no terceiro trimestre, entre trinta e duas e trinta e cinco semanas, para checar o peso fetal, o líquido e a posição. Quando necessário fazemos uma complementação com outros exames, como o Doppler Fetal.
Quando o bebê apresentar sinais de que não está crescendo direito, essa gestante vai ser acompanhada mais de perto, com exames a cada quinze dias, ou até semanal, dependendo do diagnóstico fetal.

E QUANDO ENCONTRADO ALGUMA ALTERAÇÃO NO BEBÊ, NOS EXAMES MORFOLÓGICOS OU NOS DEMAIS, A GESTANTE PASSA PARA A AVALIAÇÃO DE UM OUTRO ESPECIALISTA - O FETÓLOGO.
ENTRE UM E TRÊS POR CENTO DOS FETOS TENDEM A APRESENTAR ALGUMA ALTERAÇÃO APONTADA PELOS ULTRASSONS, E, PARA QUE SE TENHA UMA AVALIAÇÃO MAIS MINUCIOSA, O OBSTETRA ENCAMINHA A MÃE PARA ESSE ESPECIALISTA EM FETOS.


O QUE É UM FETÓLOGO?

Fetólogo é o profissional especialista em medicina fetal, uma área de atuação dentro da obstetrícia, que demanda habilitação e treinamento minucioso em ultrassonografia, atividades necessárias para se avaliar mais profundamente a morfologia desse feto que num primeiro momento apresenta alguma anomalia. Geralmente o treinamento desse especialista ocorre por um período de três anos, no mínimo, e com avaliação da sua real capacidade para atuar nesses casos, tão peculiares.
O fetólogo tem então uma melhor técnica e discernimento para analisar a morfologia fetal, atestando a sua possível normalidade, ou, por vezes, a presença de alterações no desenvolvimento.
Na avaliação do feto o especialista realiza também a observação cardíaca, e, se necessário, já encaminha para um cardiologista com a orientação de se refazer o exame, para a confirmação da suspeita da presença de patologia cardíaca. A partir da necessidade da avaliação do fetólogo, esse também passa a acompanhar e aconselhar os futuros pais, até o fim da gestação. No caso de anormalidades, o papel do fetólogo é acompanhar esse feto, o binômio feto-mãe, e juntamente com o obstetra, discutirem o melhor momento do nascimento.
Pode ocorrer ainda a existência de uma alteração mais grave. Então passamos aos exames genéticos para determinar o problema base do feto, para aconselhamento e diagnóstico, a fim de preparar o casal para uma próxima gestação. Nesses casos, os exames são realizados a partir do líquido amniótico, e com uma única coleta pode-se realizar e avaliar desde o mais simples até o mais complexo quesito genético, utilizando o mesmo material, e esses resultados é que determinarão o caminho a se seguir do ponto de vista genético.
Em alguns casos, algumas alterações podem ser corrigidas ainda dentro do útero, com a chance de maior sobrevida pós-nascimento, como no caso de uma hérnia diafragmática congênita,  mielomeningocele e a síndrome de transfusão feto fetal no caso de gêmeos da mesma placenta; problemas cardíacos, obstrução de vias urinárias, e, até em casos mais simples, como numa transfusão de sangue para o feto no caso da anemia fetal – alteração essa que também pode ser diagnosticada durante um exame de doppler fetal.
Quando a gestante procurar um serviço para realizar exames voltados para o bebê, é importante seguir as orientações do profissional, é importante confiar nesse profissional. Algumas patologias podem ser observadas desde o primeiro trimestre, como as relatadas aqui, e isso faz muita diferença na evolução da gestação, tanto para a mãe quanto para o feto. Todos os exames precisam ser realizados com prudência, com a técnica mais adequada, mais correta. Uma pequena falha pode impedir a boa análise inicial, e, somente se ter o diagnóstico daquele problema numa fase tardia demais para o tratamento.



dracandice

DRA. CANDICE FABRI FANTI
CRM 101658/SP
Médica, Ginecologista e Obstetra,
Título de Especialista em Ultrassonografia
Ginecológica e Obstétrica e Título de Especialista em Medicina Fetal, ambos pela
Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia e Associação Médica Brasileira.

dracandice fev2020