IMPACTOS DO ISOLAMENTO SOCIAL NAS CRIANÇAS

JULIANA VIANNA DE ALMEIDA CARDOSO

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Nossas crianças estão passando por uma situação atípica, e necessitam de cuidados. O isolamento social impõe a necessidade de adaptação.

A rotina das famílias mudou, as aulas agora são online, não há lazer, atividades físicas, nem contato com amigos – tudo isso impacta diretamente no estado emocional e físico das crianças, hoje e no futuro.

A restrição ao contato com novas pessoas e a falta de interação pode desenvolver crianças introvertidas, assustadas com novas pessoas e sem preparo para encarar os obstáculos que encontraram durante a vida.

As consequências imediatas são a alteração no sono e do humor - já observadas. Os pais devem estar atentos para trabalhar esse tédio, que está além do normal e tende a caminhar para o patológico, com depressão, ansiedade e pânico.

 

Dicas para minimizar os efeitos do isolamento:

a) Conversar com os seus filhos sobre a situação atual, com linguagem simples e adequada para cada idade da criança;

b) Dar abertura para que eles possam expressar seus sentimentos e suas dúvidas em um ambiente acolhedor – deixe eles falarem, sem interromper;

c) Ensinar como higienizar/lavar as mãos, e que esse cuidado deve ser diário, mesmo após a pandemia.

d) Orientar como espirrar, usando alguma proteção, como utilizar utensílios diversos, como evitar o contato físico realmente perigoso;

e) Fazer as atividades físicas em conjunto – pais, filhos, cachorro e demais que convivem na residência;

f) Definir com as crianças os horários para o uso saudável das telas, segundo as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria;

g) Inserir as crianças e adolescentes nas tarefas domésticas, respeitando a capacidade de acordo com a idade de cada um, e, incentivar o ensino colaborativo supervisionado, pode trazer grandes aprendizados;

h) Tentar realizar as refeições junto com as crianças abordando temas construtivos;

i) Ser você o modelo de comportamento que espera de seus filhos, demonstrar de forma tranquila e sensata o como lidar com essa situação. Isso trará benefícios na “construção” de uma criança saudável.

 

USO SAUDÁVEL DAS TELAS

A Sociedade Brasileira de Pediatria em conformidade com a Academia Americana de Pediatria - AAP, recomenda o tempo adequado para cada idade, de acordo com a maturação e desenvolvimento cerebral, em um estudo publicado em 2013:

Crianças, de 6 meses a 3 anos, cujos cuidadores usavam livros, habitualmente, para a leitura dirigida, fazendo ainda uso da linguagem gestual, exibiram mais e obtiveram melhores resultados na avaliação da linguagem e das habilidades sociais. Foram melhores que o grupo de crianças que passavam o mesmo tempo de leitura do grupo acima, nos aplicativos infantis de estímulo à linguagem e em programas e vídeos educativos da TV e de smartphones. Esse estudo mostra que a interação cuidador-criança, e as brincadeiras, não podem ser substituídas pela tecnologia do século XXI. Esta interação entre as crianças e adultos é fundamental para o melhor desenvolvimento e socialização.

Outro dado, os estudos mostraram existir associação entre o excesso de exposição à telas, na primeira infância, e o atraso no desenvolvimento cognitivo, na linguagem, atrasos sociais e maior descontrole emocional, além de comportamentos agressivos, alterações sociais e de sono.

O TEMPO RECOMENDADO DE EXPOSIÇÃO ÀS MÍDIAS É:

1) Menores de dois anos: é tempo zero

2) Entre a idade de dois anos completos e cinco anos: a recomendação é de uma hora por dia, ao todo, ou seja, somando-se o período diário que a criança permanece na TV, celular, tablets e videogames

3) Acima de cinco anos de idade: é recomendável o tempo de até duas horas.

O acesso deve ser monitorado e permitido apenas ao que é liberado para cada idade, respeitando-se a classificação indicativa, além do evitar conteúdos de violência, sexual, e de comportamentos inadequados.

Fonte: Manual de Orientação - Departamentos Científicos de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento e de Saúde Escolar

 

 

 

DRA. JULIANA VIANNA DE ALMEIDA CARDOSO
CRM 138162 | RQE 82107
Pediatra
Graduação: Universidade de Ribeirão Preto – UNAERP;
Residência Médica: Pontifícia Universidade Católica de Campinas - PUC Campinas