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Doença de Alzheimer

Kelli Catharino

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Doença neurodegenerativa. Atrofia cerebral. Doença progressiva. Doença incurável.

O principal sintoma da Doença de Alzheimer é a perda de memória. Mas não é o único. Esta doença compromete todas as funções básicas e essenciais do dia a dia. Compromete a capacidade de pensar, de raciocinar, prejudica a linguagem, altera o comportamento, o convívio social e outras diversas funções básicas do cérebro - além de comprometer a condição física do paciente. 
Na fase inicial pode apresentar manifestações leves que parecem banais, se assemelhando a pequenas dificuldades que qualquer jovem pode ter em momentos de estresse ou cansaço. Quem nunca teve dificuldade para se lembrar de alguém que encontrou na rua?  Quem nunca se esqueceu de um nome, uma data ou um compromisso? A questão é como diferenciar estes eventos “normais” dos sintomas iniciais da Doença de Alzheimer? Como diferenciar as limitações, que ocorrem no envelhecimento normal, das alterações iniciais da doença? Esta tarefa é muito difícil até mesmo para um especialista. Atualmente a base do diagnóstico é clinico, com apoio nas características e evolução dos sintomas. Exige do profissional muito mais do que conhecimento técnico sobre a doença. Exige uma grande sensibilidade. Sensibilidade esta para escutar os relatos da família, sensibilidade para escutar o paciente, sua história de vida, seu sofrimento. Exige empenho para investigar que fatores podem estar associados ao quadro, fatores estes que podem estar mascarando ou mimetizando os sintomas, e ou até agravando direta ou indiretamente a condição neurológica do paciente. Vale lembrar que uma depressão pode se assemelhar muito a uma demência de Alzheimer nos primeiros anos de evolução. 
Infelizmente o diagnóstico de Alzheimer está na “moda”. Para o público leigo e para muitos profissionais da área de saúde - inclusive médicos - que não lidam todos os dias com o tema, qualquer “esquecimento” mais prolongado já é justificativa para a suspeita de Doença de Alzheimer - um equívoco comum. 
Vivemos um paradoxo. De um lado um grande número de idosos que recebem inadequadamente o diagnóstico de Alzheimer por terem alguns sintomas sugestivos, e do outro lado um grupo ainda maior de idosos que não recebem diagnóstico algum, por não terem acesso a um sistema de saúde.  As dificuldades de acesso a um sistema de saúde é uma questão de política em saúde, mas o desconhecimento sobre a possibilidade de tratar estes pacientes é uma questão sócio-educativa e cultural.  Muitas famílias ainda acreditam que é normal que seus idosos estejam confusos e esquecidos.  Muitos acham até graça das pequenas confusões dos seus avôs e avós. O YouTube tem centenas e centenas de vídeos com este conteúdo. 
Atualmente existem alguns métodos para o diagnóstico da doença que são bastante refinados permitindo uma detecção cada vez mais precoce da patologia. Com isso cresce a oportunidade de uma abordagem com melhor expectativa e qualidade de vida para o paciente. 
Estamos longe de uma cura ou de um tratamento satisfatório. Mas é consenso que os tratamentos disponíveis - inclusive na rede pública de saúde - melhoram, e muito, diversos aspectos da doença, tornando o cuidado do paciente mais fácil e seguro. 
Uma nova visão sobre a Doença de Alzheimer permitirá uma melhor qualidade de vida para os pacientes e seus familiares. 




Dra. Kelli Catharino - CRM 144036
Neurologista

(19) 3454.0173
Av. Tiradentes, 855 - Vila MacKnight  - Santa Bárbara d’Oeste
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