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Qualidade de vida na velhice

Letícia Melro Campelo da Cruz

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O verdadeiro mal da velhice não é o enfraquecimento do corpo, é a indiferença da alma“ André Maurois

Para se falar em qualidade de vida, tem-se que abordar a respeito do envelhecimento bem sucedido, que nada mais é, do que o indivíduo percebendo a si mesmo, e tendo controle da própria vida e do ambiente, se adaptando às mudanças.
Tornar-se idoso é um trabalho duro. Não se quer apenas sobreviver e sim viver!
O envelhecimento da população é um triunfo, resultado do desenvolvimento socioeconômico e científico, levando a um aumento da longevidade.
O aumento da expectativa de vida, trouxe a necessidade de avaliar a qualidade da sobrevida desta população, sendo que se tem o desejo de viver cada vez mais e ao mesmo tempo, o temor das incapacidades e da dependência, pois crescem as chances da ocorrência de doenças e de prejuízos a funcionalidade física, psíquica e social.
O desafio que se propõe aos indivíduos e as sociedades é conseguir uma sobrevida cada vez maior com qualidade de vida cada vez melhor.
Saúde não é a ausência de doenças, desde que as mesmas estejam controladas, o individuo é saudável, apresentando-se em um estado de completo bem-estar físico, mental e social.
É importante se diferenciar o envelhecimento normal (senescência) do envelhecimento patológico (senilidade).
Envelhecer é inevitável, porém a medida que se faz com autonomia e independência, com boa saúde, desempenhando papéis sociais, permanecendo ativo e desfrutando de uma boa vida, alcança-se o bem-estar, diferentemente de indivíduos marcados por doenças, com sequelas e declínio funcional agravando a dependência, levando a perda de autonomia, ao isolamento social e a depressão.
A avaliação da qualidade de vida na velhice se depara frente a situações como, diminuição da renda, moradia, declínio de saúde, solidão, viuvez, isolamento, desamparo, tristeza, vida emocional menos intensa, restrições a oportunidades e insatisfação.
Negligenciar os sintomas dos idosos é comum, tanto por eles próprios, pela família, e até mesmo pelos profissionais de saúde. Aceita-se como se fosse o processo natural do envelhecimento, a tristeza, a dor, o cansaço, o que se traduz por omissão impedindo o tratamento adequado, a reabilitação e a adaptação, com consequências negativas para a vida e sua qualidade.

‘’Qualidade de vida é a percepção do indivíduo acerca de sua posição na vida, de acordo com o contexto cultural e o sistema de valores com os quais convive em relação a seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações.
’’Organização Mundial de Saúde – OMS


O idoso deve lidar com os fatores estressores de uma forma competente e adaptativa, a fim de enfrentar os problemas, para tanto carrega consigo a religiosidade, o senso de controle e o sentido da vida, conseguindo ver concretizado o que almejou.
Para se abordar um dentre tantos outros fatores que poderiam fazer mudanças no envelhecimento anormal, atualmente valoriza-se atividade física, esta parece ser importante durante toda a vida, mas definitivamente é indispensável na idade avançada.
A atividade física contínua fornece a prevenção da fragilidade na terceira idade, a capacidade dos programas de exercícios de melhorar o estado  funcional até o nível mais alto, inclusive em idosos sob risco  como nonagenários, institucionalizados e portadores de doenças limitantes. A prática de exercícios supervisionados, mesmo quando  iniciados na idade mais avançada , nota-se a melhora  na capacidade  funcional, no estado de ânimo, e no risco cardiovascular .
Os médicos desempenham um papel importante em reconhecer, promover e principalmente prescrever atividade física para idosos, programas para ajudar a manter a flexibilidade e a força podem ser recomendados para a maioria dos idosos.
Existem idosos que compensam os declínios físicos, cognitivos e funcionais relacionados a idade através de vários mecanismos adaptativos, que tornam essas perdas menos debilitantes e menos generalizadas do que se esperaria.
O papel do profissional de saúde é rever as atividades e estimular o paciente idoso a participar da vida com sua maior capacidade. Aqueles que estão abertos a novas experiências, parecem estar bem equipados para se adaptar as mudanças relacionadas a idade e para planejar novas estratégias para lidar com estas transformações.
Há muitos fatores de risco para o declínio da capacidade física e mental e perdas vinculadas a idade que são modificáveis, abrindo um palco para prevenção e intervenção.
A melhor prescrição para idosos é compartilhar o conhecimento, que sustenta uma grande promessa para otimização da função e da qualidade de vida.
Conclui-se que a saúde é valiosa, e há de se valorizar a sobrevida aumentada do ser humano como uma etapa significativa da vida!

Dra. Letícia Melro Campelo da Cruz
CRM 95064
Geriatra