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Depressão maior. Um olhar biológico sobre um transtorno psíquico

RODRIGO NOGUEIRA BORGHI

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Nesse nosso contato iremos falar de um assunto altamente importante e que é frequente no cotidiano de um consultório de psiquiatria: a depressão.

A depressão maior é uma doença do humor, com as características de cronicidade e neurodegeneração, oriundas de causas multifatoriais tendo como as principais delas a genética e o estresse ambiental. É uma doença marcada pela presença dos sintomas, que citaremos abaixo, e que acomete um indivíduo na maior parte do dia, por um período que se estende por mais de trinta dias, trazendo intenso sofrimento e prejuízo funcional. Tais sintomas são:

  • humor persistentemente triste;
  • perda de interesse e prazer;
  • fadiga;
  • irritabilidade;
  • diminuição da capacidade de reação emocional;
  • angústia;
  • choro fácil;
  • mudanças de fase do sono e do ritmo circadiano, além de falta ou excesso de sono;
  • mudança de apetite e peso;
  • diminuição de libido;
  • mudança no ritmo intestinal;
  • diminuição de concentração e dificuldade de memória;
  • lentificação psicomotora;
  • isolamento social;
  • baixa autoestima e diminuição da capacidade de autocuidado;
  • ideação de culpa, ruína ou auto-extermínio;
  • perda de confiança;
  • delírios e alucinações - em quadros mais graves.

A depressão, atualmente, é considerada pela Organização Mundial de Saúde - OMS uma epidemia grave, com índice de prevalência de 20% ao longo da vida dos indivíduos, incidência que dobra quando o indivíduo é acometido por mais uma doença clínica. O prejuízo funcional associado à doença é tão severo que hoje é considerada a segunda doença que mais causa incapacitação no mundo inteiro, ficando atrás apenas do infarto agudo do miocárdio.

É uma doença sistêmica que possui uma fisiopatologia heterogênea, um conjunto de alterações no funcionamento normal do organismo que levam ao surgimento dos sintomas. Isto significa que ao contrário do que se pensava anteriormente, que a depressão ocorria pela falta de um determinado neurotransmissor, como a serotonina e outros (Teoria Monoaminérgica), passou-se a observar que na depressão ocorre a liberação de inúmeras substâncias inflamatórias ocorrendo assim prejuízo direto a inúmeras estruturas e ao adequado funcionamento (Teoria Inflamatória). Na depressão, com o mau funcionamento de diversas substâncias no interior dos neurônios, que têm seu funcionamento alterado, assim como fica alterado o crescimento das proteínas responsáveis pela manutenção das tais substâncias, e de suas estruturas, leva a processos de desequilíbrios, como os que causam lesões neuronais e inúmeras complicações sistêmicas (Teoria Endocrinológica e Metabólica).

Em virtude dessa sistematicidade da depressão entende-se o porquê de dados repetidos nos últimos anos, que mostram que na presença da depressão, o paciente adoece com mais frequência e tem evolução ruim em inúmeras doenças clínicas, como no diabetes, nas dislipidemias e cardiopatias – que se agravam ou se tornam quadros depressivos resistentes. Cabe ainda ressaltar que a depressão está associada a índices importantes de mortalidade relacionados não só ao suicídio, mas ao agravo de co-morbidades clínicas e complicações relacionadas ao uso abusivo de substâncias lícitas ou Ilícitas.

Em virtude do panorama descrito, a instituição de um tratamento precoce e eficaz para a doença, que leve em consideração suas múltiplas causas e aborde os mecanismos do comprometimento sistêmico, é fundamental para melhorar a qualidade de vida dos portadores e evitar os desfechos atuais, onde algo em torno de 39% das pessoas acometidas pela doença terão melhora parcial ou nenhuma melhora ao longo da vida. Existem inúmeros recursos para cuidar adequadamente dessa patologia. Caso você suspeite da doença, busque um especialista o quanto antes. Estabelecer o diagnóstico e instaurar o tratamento adequado é o melhor caminho.


rodrigoborghi bio

Dr. Rodrigo Nogueira Borghi
CRM 138.816
Médico Psiquiatra RQE 175811
Psiquiatria adulto e psiquiatria geriátrica