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Perda dental: como recuperar a saúde da boca e a qualidade de vida

Cassiene Alves

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Cuidados específicos e tratamentos odontológicos, como os implantes dentários, ajudam no bem-estar do paciente.

A perda de dentes - natural às crianças ao longo da dentição primária - também atinge adultos e idosos com frequência. De acordo com pesquisa desenvolvida pela Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) da Unicamp, que observou a saúde bucal de 143 adultos de 2011 a 2015, mais de um terço dos avaliados teve um ou mais dentes comprometidos durante o período. O problema, prejudicial à saúde e à autoestima, pode advir de causas quase imperceptíveis e acarretar consequências perigosas como dificuldade de mastigação, fala, complicações ósseas e deslocamento da arcada dentária.  
 
Segundo especialistas, a doença periodontal - que acomete gengiva e osso - é uma das principais causas de espaços edêntulos (região bucal que se apresenta com ausência do elemento dentário). Em níveis elevados, a inflamação, que tem início com o acúmulo de placa bacteriana após as refeições, pode levar à perda óssea, fazendo com que o dente fique mole e caia.  Doenças em outras partes do corpo, como diabetes mellitus, síndrome de Down, doença de Crohn e deficiência de glóbulos brancos também podem predispor pacientes à periodontite.
 
Na odontologia, a preocupação com pacientes que perderam os dentes vem principalmente da premissa que a capacidade mastigatória está intimamente relacionada à condição nutricional e, por consequência, à saúde geral dos indivíduos. Para Rose Helena Burgon, dentista da Clínica Hope, de Campinas, “a boa saúde é resultado de nutrição adequada, o que só pode acontecer através de uma cavidade bucal em sua plenitude.”, explica. “Uma boca pouco saudável produz efeitos negativos significativos sobre o bem estar sistêmico. Arcadas com espaços vazios implicam em uma dificuldade mastigatória, prejudicando a seleção adequada dos alimentos e, consequentemente, deficiências nutricionais”, complementa.
 
Perda de dentes na terceira idade não deve ser considerada normal
 
O índice CPO-D (Dentes Perdidos, Cariados e Obturados), medida utilizada para medir a saúde bucal através de pontuação que vai de 0 a 32, apresentou no último Levantamento Nacional de Saúde da Boca (em 2010), a pontuação de 27.53 entre pessoas de 65 a 74 anos.  Apesar de comum, a perda de dentes não está associada ao envelhecimento, mas à falta de hábitos saudáveis de higienização bucal e a problemas genéticos.
 
O fator, quando atinge idosos, é danoso inclusive àqueles que buscam refazer suas vidas após a perda de companheiros de uma vida inteira. A autoestima prejudicada pode levar à depressão, ao isolamento e a outras doenças. “Uma grande preocupação da ortodontia é reabilitar a saúde bucal do idoso, dando-lhe condições biológicas e psicológicas adequadas à reinserção na vida social”, explica Rose.  “Uma excelente solução aos que usam dentaduras é o implante de carga imediata (fixação das próteses sobre os implantes logo após a cirurgia). Com esse tipo de procedimento, desde que o paciente reúna condições de saúde geral, é possível a reabilitação completa das arcadas dentárias”, revela.
 
Como surgiu o implante por Osseointegração
 
Em 1965 o Professor Per-Ingvar Brånemark, médico sueco, iniciou estudos que culminaram com a descoberta da Osseointegração - implante feito através da união entre o osso e a superfície de titânio. O estudioso, à frente de um grupo de pesquisadores da Universidade de Gotemburgo (Suécia), interessava-se por pesquisas e procedimentos que resolvessem deficiências físico-funcionais de seres humanos.

Após o tratamento do primeiro paciente com titânio, Brånemark despendeu 17 anos de sua carreira estudando e analisando cuidadosamente os dados obtidos, até que em 1982 os conceitos da técnica foram apresentados na conferência sobre “Osseointegração na Clínica Odontológica”, em Toronto.
 
Com 15 anos de experiência clínica, o professor ainda mostrava-se apreensivo acerca da receptividade de sua apresentação. A dúvida foi convertida em aplausos de muitos participantes, que tornaram-se seus colaboradores posteriormente.
 
A partir da data, diversas instituições reconhecidas mundialmente juntaram-se à equipe da Osseointegração em países como Estados Unidos, Canadá, Austrália, Bélgica, Suécia, Espanha, Itália, Brasil, Chile, Japão e Coréia - prova da excelência e notoriedade da técnica frente a outras tentativas do passado.
 
Como funciona o tratamento
 
Rose explica que a melhor alternativa para reabilitar os arcos dentários são os Implantes Osseointegrados.  “Eles funcionam como a raiz de um dente natural e o paciente não sentirá nenhuma diferença. Uma das vantagens mais importantes é que o procedimento mantém o osso natural e minimiza a progressão da perda devido à estimulação”. De acordo com a profissional, a técnica é aceita e recomendada por dentistas há mais de 40 anos.
 
O método, que não é dolorido, registra respostas positivas em 95% dos casos. As chances de fracasso são poucas e eliminadas seis meses após o procedimento, quando o implante se integra aos ossos da boca.
 
Cuidados ao paciente
 
Como em todo procedimento cirúrgico, o implante dentário necessita de cuidados antes, durante e depois da operação. Após a escolha de um profissional capacitado, seguir as instruções do cirurgião dentista é imprescindível.


 
Dra. Rose Helena Burgon
CRO SP 76.501